quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Vagas - Editora Aleph

Vi esse anúncio na página da Editora Aleph no Facebook, indicado por um amigo tradutor (obrigada, Carlos Angelo!):

EXTRA! EXTRA! 

Estamos com 4 vagas abertas aqui na Aleph:

- Produtor editorial, com experiência na área

- Estagiário em produção editorial

- Assistente administrativo / orçamentista


- Assistente financeiro

A editora fica em São Paulo, no bairro de Pinheiros.

Interessou? Só mandar o seu currículo para rh@editoraaleph.com.br e cruzar os dedos



O anúncio foi postado no dia 14/01/2015 e o link para o anúncio no Facebook é este: https://www.facebook.com/editoraaleph/photos/a.350491306293.198675.350449871293/10152934777681294/?type=1


Boa sorte!

Para quem gosta de literatura de ficção científica, é um prato cheio! ;)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Cursos - CBL - janeiro de 2015

Recebi esse informativo por e-mail e achei interessante colocar aqui.

Ainda não tive oportunidade de fazer nenhum curso oferecido pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), mas me parecem interessantes.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Escreva seu livro / Dicas para novos autores

Há alguns dias recebi um e-mail da editora Laura Bacellar, que escreveu um livro chamado Escreva seu livro, com dicas para autores, sobre o qual escrevi aqui

Era uma mensagem para pessoas que provavelmente se inscreveram no site dela para receber atualizações por e-mail, em que ela informava que o site Escreva seu livro foi reformulado (e pode ser acessado aqui), pedia sugestões tópicos (dúvidas) de autores para que ela pudesse incluir em um material que ela está elaborando e, o mais legal: ela montou um e-book com dicas para autores novatos explicando a diferença entre editoras e prestadores de serviços ("editoras de autopublicação").

Li o e-book e achei bastante útil para autores que não têm ideia de como o mercado funciona. O e-book pode ser baixado gratuitamente pelo site (na página inicial, do lado direito há informações de como fazer isso), sendo necessário indicar um e-mail para confirmação.

***

Estou para escrever outros posts sobre vários assuntos relacionados à publicação, mas o tempo anda escasso. Assim que possível, compartilho.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vagas - Editora do Brasil, Boitempo e GEN

Editora do Brasil, Grupo Gen e Editora Boitempo estão contratando
 
A Editora do Brasil está contratando editor de texto, assistente editorial, assessor pedagógico jr., analista de atendimento e auxiliar de divulgação. Os interessados em concorrer as vagas devem enviar currículo para ana.rh@editoradobrasil.com.br. O Grupo Gen está com uma vaga aberta para analista editorial. É exigida graduação concluída (ou próximo da conclusão) em letras ou produção editorial. Interessados devem enviar currículo para eliane.gomes@grupogen.com.br ou mariana.tuzzolo@grupogen.com.br. Já a Editora Boitempo está contratando vaga para auxiliar de estoque, com experiência anterior no mercado editorial. Os currículos devem ser enviados para vendas@boitempoeditorial.com.br.
 
 
Anúncio publicado originalmente aqui no PublishNews.

domingo, 10 de agosto de 2014

Miss Potter, Peter Rabbit e Ursinho Puff


Vi esse filme há algum tempo, gostei e quero compartilhar umas ideias. Ele mostra um pouco dos bastidores editoriais em relação a novos autores.

Apesar de a capa lembrar "Mary Poppins" e de (acredito eu) muita gente não ter ideia de quem raios é "Miss Potter", o filme é interessante. Trata-se da biografia meio romantizada e levemente cômica da autora e ilustradora inglesa Beatrix Potter (1866-1943).

Beatrix Potter

Beatrix Potter ficou famosa por seus livros infantis, sendo o mais famoso Peter Rabbit e seus amigos - esse livro teve uma versão para o cinema e também havia alguns episódios curtos que a TV Cultura exibia, talvez ainda exiba, mas eu não assistia porque achava chato, embora os traços dos desenhos fossem bonitos.




O filme pode ser visto no YouTube:


Beatrix vinha de uma família rica, sua mãe queria que ela se casasse - de preferência, com um rapaz da mesma classe social que ela -, no entanto, ela parecia mais interessada em escrever e ilustrar, pois alimentava o sonho de ver seus livros publicados.


Ela gostava de desenhar animais, provavelmente porque também gostava de observar seus animais de estimação e outros que ela via quando ia passar as férias no campo durante a infância.

Consta na Wikipédia (ou seja, o dado é incerto) que ela apresentou seu trabalho a várias editoras e tentou publicar seu primeiro livro 70 vezes, sendo que 69 tentativas falharam. No filme, podemos ver a resistência de dois irmãos editores, já meio velhos, em publicar os livros dela. No entanto, o irmão mais novo dos editores, Norman Warne, queria muito participar dos negócios da família e um dos irmãos acaba incumbindo-o de cuidar da edição e publicação do livro de Beatrix. Ele nunca havia publicado nada antes, mas mostra-se muito interessado em fazer aquilo dar certo. Há uma cena em que Beatrix e Norman aparecem na gráfica onde os livros seriam impressos e Beatrix pede uma alteração de cores - se não me engano, as cores das ilustrações estavam muito escuras e ela pede para suavizá-las.

[Trailer do filme:]


O primeiro livro, The Tale of Peter Rabbit (Peter Rabbit e seus amigos), acaba sendo um sucesso, os editores ficam felizes com as vendas, assim como Beatrix, e ela consegue comprar uma casa com o dinheiro dos direitos autorais. Algo bastante incomum para uma mulher no início do século XX, quando o mais "normal" seria arranjar um bom casamento e formar uma família.

 1ª edição (1902)

Depois de um tempo, Beatrix e Warne acabam ficando noivos em segredo, pois a família dela não queria que ela se casasse com um "comerciante", alguém de classe inferior. No entanto, um mês após o pedido de noivado, ele morre e Beatrix meio que entra em depressão, se recusa a sair de casa, mas continua trabalhando. A partir disso, a história se encaminha para um final feliz, mas agora quero voltar ao momento em que a Beatrix apresenta seu trabalho a vários editores e ninguém quer publicar o trabalho dela. E por que não querem publicar?

Provavelmente porque os editores não viam potencial de venda naquele material, ainda que fossem "bonitinhos" e benfeitos. No entanto, um dos editores acreditou que introduzir livros infantis em seu catálogo poderia lhe render um pequeno lucro. No fim das contas, o livro acabou sendo um sucesso e gerando muitos lucros para a editora e também para Beatrix.

Quero chegar na questão: como é que os editores sabem quais livros têm potencial de vendas ou não?

Pois é, não sabem. A publicação da maioria dos livros são tiros no escuro. Acredito que nenhum editor consiga afirmar com certeza que a publicação de um novo autor (ou de um autor "desconhecido") vá ser um sucesso de vendas. Então a editora investe em livros de novos autores com a esperança de que o público goste. Se o público gostar e se as vendas forem boas, é provável que a editora continue se interessando e publicando outros livros desses autores. Se não, é mais provável que a editora recuse outros livros escritos por eles.

Mas existem casos improváveis também. Lembro de ter lido no livro Escola de tradutores, do Paulo Rónai (recomendo o livro!), que o tradutor Alexander Lenard (médico húngaro que depois veio morar no estado de Santa Catarina) havia traduzido O Ursinho Puff, livro infantil escrito por A. A. Milner e publicado em inglês pela primeira vez em 1926, para o latim e estava buscando um editor para esse material. Foi muito difícil encontrar um editor que topasse a empreitada, até que ele encontrou um e a tradução foi publicada em 1958 como Winnie Ille Pu. O livro foi um sucesso, ficou na lista mais vendidos do jornal New York Times por várias semanas e teve edições de capa dura e, se não me engano, mais luxuosas do tipo "especial de Natal" também. Não acreditam? Vejam a capa do livro abaixo:


Acredito que existem formas de minimizar o "prejuízo" e evitar que os livros fiquem encalhados por anos, às vezes, décadas, e que não se pagam (ou seja, alguns livros têm uma quantidade de vendas tão ruim que o valor gasto com revisores, designers, papel, gráfica etc. nunca é recuperado), mas isso também não é garantia de nada.

Algumas grandes editoras no Brasil usam o serviço de "olheiros" no exterior (na verdade, esse trabalho tem um nome específico que me escapa agora); são pessoas que ficam bastante antenadas no mercado editorial externo, observando e analisando quais títulos estão fazendo sucesso/ vendendo bastante e passam essas informações para as editoras brasileiras, para elas possam avaliar até que ponto seria vantajoso apostar em tais e tais títulos no Brasil, considerando o público da editora, o que editoras concorrentes estão publicando e que está dando certo, entre outros fatores.

Fiquei pensando que se eu tivesse de escolher quais títulos de autores novos (nacionais ou estrangeiros que não são conhecidos no Brasil) publicar, eu precisaria estabelecer alguns critérios, considerando o potencial de vendas e também a pressão da editora em relação às minhas escolhas (considerando que, teoricamente, eu seria paga para escolher os títulos com mais potencial para virar best-sellers e gerar mais lucros para a empresa). Fiquei pensando nisso e alguns dos critérios em que eu pensaria seriam esses:

1. O(a) autor(a) ganhou ou foi indicado(a) a prêmios literários nacionais importantes e, portanto, tem uma certa visibilidade na mídia;

2. Escreve razoavelmente bem (esse critério é para não dar tanta dor de cabeça na hora da edição e revisão; em geral, quanto pior a pessoa escreve, mais o livro demora a ser lançado e, dependendo da editora, não há tempo para "frescuras do autor" porque o livro precisa ser lançado em determinada data por questões comerciais);

3. O(a) autor(a) publicou textos com acesso gratuito na internet, tem um certo público que já conhece seu trabalho e que provavelmente compraria o livro caso fosse publicado;

4. No caso de livros estrangeiros, buscaria opiniões de leitores na Amazon ou na Good Reads (https://www.goodreads.com/) e analisaria se o conteúdo do livro tem chances de despertar interesse no público leitor brasileiro ou se as diferenças culturais (e até a dificuldade em traduzir o conteúdo de forma inteligível) seriam uma barreira para o livro decolar por aqui;

5. Entraria no site de grandes livrarias (Livraria Cultura, por exemplo) e no Skoob (www.skoob.com.br) para ver se há títulos com temática parecida e qual a aceitação e quais os comentários dos leitores a respeito desses livros;

6. Tentaria estar ciente das tendências de interesse e de consumo dos brasileiros em geral; por exemplo, há alguns anos, havia muita gente interessada em cultura japonesa, mangás, animês, literatura japonesa, cinema japonês, hoje em dia, tenho a impressão de que o interesse das pessoas está se voltando para a cultura coreana (por isso, aos poucos, livros de literatura coreana vêm sendo lançados, para a minha alegria :);

7. Pensaria em que tipos de canais os livros poderiam ser divulgados (em que blogs ou em que outro tipo de mídia a divulgação daria mais retorno);

8. Me desejaria sorte e que os livros fossem um sucesso de vendas. :)


terça-feira, 29 de julho de 2014

1ª Pesquisa CBL - Mercado do Livro Digital no Brasil (jun/2013)

Acabei de dar uma olhada em uma pesquisa da CBL sobre o mercado do livro digital no Brasil, aparentemente feita com participantes do 4º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em junho de 2013) e achei interessante.

É uma pesquisa bastante direta, sem análises, apenas com percentuais e algumas respostas abertas, mas que indica como pensa uma boa parcela dos editores nacionais e que medidas estão tomando (ou não) em relação aos livros digitais.


Uma das últimas questões se refere à expectativa em relação ao tempo em que a venda de livros digitais superará a de livros impressos:


Eu entraria na porcentagem de pessoas que acreditam que a venda de livros digitais superará a de livros impressos em mais de dez anos, pois muitos leitores ainda preferem o livro impresso devido ao hábito - aprenderam e cresceram lendo livros impressos. 

As próximas gerações de leitores talvez já estarão completamente habituadas com esse formato para leitura desde a infância (e até terão preferência por ela, pela facilidade e praticidade e também pelo número de títulos digitais à disposição, que, provavelmente, será bem maior).  Como os preços dos tablets e e-readers também deverão estar muito mais acessíveis, assim como o preço dos próprios livros digitais, isso condicionará as vendas e o maior consumo.

Claro que escrevo isso no puro e descarado "achismo". Seria necessário uma análise muito mais apurada para afirmar qualquer coisa sobre esse mercado. Pretendo escrever sobre livros digitais mais para frente; ainda preciso ler e me informar melhor sobre o assunto.


5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


Programação:



9h00 - 9h30
Abertura Oficial
Karine Pansa - Presidente da CBL

9h30 - 10h30 - Palestra
"Burning the Page" A revolução dos livros digitais e o conteúdo em convergência
Jason Merkoski - Autor do Livro "Burning the Page" - gerente de desenvolvimento e, gerente de produto, foi primeiro evangelista de tecnologia da Amazon) - Estados Unidos

10h30 - 11h00
Coffee-break

11h30 - 12h30 - Painel
Em busca de um modelo de negócios para as livrarias independentes no universo digital
Oren Teicher - Presidente da ABA – American Booksellers Association - Estados Unidos
Jean Marie Ozanne - Ozanne (Editions Folies D’encre) - França


12h30 - 13h00 - Palestra
O BNDES é o novo Procult: incentivo à inovação no setor editorial.
Luciane Gorgulho - Chefe do departamento de economia da cultura do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Social - Brasil


13h00 - 14h30
Intervalo

14h30 - 16h00 - Painel
EPUB 3 e a revolução da Acessibilidade no mercado
José Borghino - Diretor de Política da IPA – International Publishers Association
Stephen King - Presidente do grupo DAISY - Inglaterra
Moderador: Pedro Milliet - Fundação Dorina Nowill - Brasil

16h00 - 16h30
Coffee-break


16h30 - 17h30 - Painel
Convergência entre mídias digitais e físicas nas bibliotecas
Olaf Eigenbrodt - Biblioteca Estadual e Univeristária Carl von Ossiestzky - Alemanha
Julia Bergman - Consultora, especialistas em bibliotecas digitais - Alemanha
* Programação sujeita a alterações




14h00 - 15h00 - Palestra
O Livro Digital na Educação


15h00 - 16h00 - Palestra
Direitos Autorais na questão do livro digital
Dr. Carlos Fernando Mathias
Dr. Manoel J. Pereira dos Santos

16h00 - 16h30
Coffee-break

16h30 - 17h00
Apresentação dos trabalho científico

17h00 - 18h00 - Painel
Compartilhando experiências sobre o universo do livro digital
José Luiz Verdes - CEO da Manuscritics - Espanha
Carme Fenoll - Bibliotecária- Chefe do Serviço de Bibliotecas da Calaluña - Espanha
Moderadora: Rosa Sala - CEO da Digital Tangible - Espanha

18h00 - 18h30
Encerramento | Comissão do livro digital
Local: Auditório Elis Regina - Palácio das Convenções do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1209 - São Paulo


* Programação sujeita a alterações



Apresentação dos Trabalhos Científicos
21 de agosto, das 14h às 17h
Local: Hotel Holiday Inn - Sala Jacarandá Paulista
Professor Milton Rodrigues, 100

Apresentação dos Cases
24, 26, 27 e 28 de agosto, das 16h30 às 20h30
Local: Auditório da Escola do Livro / 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
VALORES PARA INSCRIÇÃO

ASSOCIADOS CBL
    2 dias
  Após 1/06   R$ 940,00


Associados de entidades congêneres,
bibliotecários, professores e estudantes

    2 dias
  Após 1/06   R$ 1.120,00


Não-associados
    2 dias
  Após 1/06   R$ 1.260,00


Descontos para Grupos
  6 a 10 participantes   5% sobre o valor total
  11 a 20 participantes   10% do valor total
  21 ou mais   15% sobre o valor total

* Para inscrição de grupos acima de 40 ou mais participantes entre em contato por e-mail digital@cbl.org.br 
Link para fazer a inscrição: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site2014/inscricoes
Link oficial do evento: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site2014/home

Tendências do mercado editorial 2014 - Business Club/ Frankfurter Buchmesse

Há mais ou menos duas semanas recebi por e-mail, via comunidade "Frankfurter Buchmesser" (Feira do Livro de Frankfurt) do LinkedIn, um relatório feito por Rüdiger Wischenbart, do Business Club, um grupo ligado à Feira de Frankfurt, com as tendências em publicação de 2014.

Para acessar o relatório completo (em inglês), clique aqui. É preciso preencher alguns dados, enviam um e-mail de confirmação por e-mail e depois é só baixar o arquivo.

A leitura vale a pena para se ter uma ideia do contexto do mercado editorial mundial atual e quais os desafios que vêm pela frente. É interessante também porque o autor detalhou um pouco o que está acontecendo no mercado editorial em países emergentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Compartilho abaixo algumas informações interessantes.

Considerando a indústria do entretenimento, o mercado de livros ocupa o primeiro lugar em relação a vendas - considerando livros de educação e "STM" (sigla, em inglês, para Ciência, Tecnologia e Medicina/Saúde).


Em economias emergentes, o mercado de livros e de publicação tem crescido nos últimos vinte anos. Nesse tempo, a China se tornou o segundo maior mercado de livros, atrás apenas dos Estados Unidos. O Brasil ocupa a nona posição.


Mapeamento do tamanho do mercado e a publicação de novos títulos relacionada ao PIB per capita nos 23 maiores mercados editoriais mundiais:

[Clique duas vezes no quadro para aumentá-lo]

O mercado ainda é dominado por poucos países, principalmente europeus e de linhagem anglo-saxônica, Japão e Coreia. É interessante notar que a Noruega aparece no mapa acima como um dos países que mais lançam livros por ano e onde as pessoas gastam mais com livros, mas isso ocorre porque o governo destina os lucros de óleo extraído no Mar do Norte para financiar a cultura do país.

Wischenbart afirma que é bastante improvável que leitores em países como Índia e Indonésia tenham uma livraria em cada esquina, assim como o crescente número de leitores em São Paulo, Beijing ou Guadalahara fique esperando que centros de distribuição de livros impressos se desenvolvam ou que esses leitores descubram novos títulos em resenhas de livros em jornais e revistas impressos. O mais provável é que, cada vez mais, para contornar a dificuldade de acesso aos livros e também o alto custo deles, leitores busquem alternativas digitais - ou seja, a tendência é que a leitura se expanda por meio de smartphones e tablets (que provavelmente ficarão cada vez mais baratos).

Ainda segundo o informativo, os leitores estão adotando mais a leitura de e-books, sendo essa tendência  liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, o que provavelmente resultará na necessidade de editoras se unirem a empresas de comunicação e tecnologia para que seus livros tenham visibilidade e sejam melhor distribuídos.

A seção em que Wischenbart fala sobre os países do BRIC é especialmente interessante. Ele faz uma breve análise da situação atual do mercado editorial nesses países em crescimento econômico, o que se reflete no interesse e na busca da emergente classe média por educação (e livros). 

Brasil: há empresas estrangeiras investindo no país; a Amazon, que abriu uma loja virtual por aqui em 2012, mostrou interesse em participar de licitações para venda de livros didáticos para o governo, uma vez que tablets foram distribuídos para professores (e talvez daqui um tempo os alunos de escolas públicas também recebam o aparelho). Carlo Carrenho, da Publishnews, afirma que os editores precisam entender melhor seus consumidores, melhorar práticas profissionais, ter mais ofertas de conteúdo digital e modelos de negócios mais modernos se quiserem alcançar o "novo consumidor brasileiro" e aumentar sua participação no mercado.

Rússia: tem problemas de distribuição de livros físicos por conta do tamanho do país e também com pirataria de e-books; por conta da crise econômica, a maior distribuidora de livros do país faliu em 2012.

Índia: assim como no Brasil, há empresas estrangeiras investindo no país e o mercado também está sendo impulsionado pelo interesse das pessoas em educação; a autopublicação está ganhando cada vez mais importância, liderada pela Amazon; apesar de a compra de tablets e smartphones ter diminuído, os e-books estão em alta.

China: de acordo com fontes do governo chinês, a China é o segundo maior mercado de livros em tamanho, perdendo apenas para os Estados Unidos e vem mostrando um crescimento contínuo; a publicação de livros digitais é focada na educação; a publicação e leitura de livros digitais estão atreladas ao acesso do consumidor a tablets e smartphones e também ao rápido aumento do e-commerce.

A venda de e-books tem se tornado bastante rentável, ao menos para os grupos editoriais maiores, como Penguin Random House, Hachette, HarperCollins, Mcmillan e Simon & Schuster. O autor reconhece que é mais difícil levantar dados sobre e-books, mas chegou aos seguintes números:

Em 2013, nos Estados Unidos, do total de vendas de livros, 21% foram de e-books; no Reino Unido, no mesmo ano, a venda de e-books representou 15%; na Alemanha, esse número ficou em 3,9%. Então, aparentemente, a venda de e-books varia muito dependendo do país e também do gênero de publicação, uma vez que os gêneros estão cada vez mais divididos em categorias e subcategorias.

A publicação de livros impressos está em declínio quase universalmente, mas apenas alguns mercados conseguem compensar essa perda por meio do crescimento de produtos digitais.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Livros, Editoras & Projetos


Título: Livros, Editoras & Projetos
Autores: Plinio Martins Filho (org.), Jerusa Pires Ferreira, Jacó Guinsburg e Maria Otilia Bocchini
Editora: Ateliê Editorial
Formato: 16x16 cm
Nº de páginas: 120
Ano de publicação: 2007 (3ª edição)

***

Apesar de ter sido publicado pela primeira vez em 1997, este livro contêm muitas informações úteis e ainda válidas para quem trabalha no mercado editorial ou se interessa pelo assunto, além de conter várias referências a outros livros e estudos da área.

No primeiro capítulo, "A proposta", Jerusa Pires Ferreira, professora livre-docente da ECA-USP, escreve sobre a importância de se discutir e pensar o processo de produção do livro e cita várias referências.

Em "O editor e o projeto" (meu capítulo preferido), Jacó Guinsburg, professor da ECA-USP e da FFLCH, fundador e diretor da Editora Perspectiva, discorre sobre o papel e importância do editor, editoras universitárias, a dificuldade de se administrar uma editora com esse perfil e suas experiências como editor dos projetos da Editora Perspectiva.

Gostei muito e me identifiquei com esse trecho do Jacó Guinsburg (p. 43):

Uma editora não é apenas uma opção profissional. É uma opção de vida também, porque o livro é mais ou menos como aquela coisa do cacau de Jorge Amado: pega no pé da gente. É o visgo que pega no pé da gente. Quem trabalha com livros, dificilmente sai da área, porque há todo um envolvimento que eu sequer poderia objetivar. Um envolvimento que decorre de muitos aspectos, e do qual surge, tanto para os que atuam no campo da produção, como para aqueles que trabalham mais especificamente na realização gráfica, na distribuição comercial ou nas tarefas da editoração, um apelo que é muito grande. Conheço, mesmo, pessoas com trinta, quarenta, cinquenta anos em todas essas áreas de produção de livros, e que mantêm seu interesse, seu entusiasmo até pela natureza desse objeto que é tão imaterial. [...]

O capítulo "A relação produtor/editor" foi escrito por Plinio Martins Filho, professor do curso de Produção Editorial da ECA-USP e diretor editorial da Edusp, além de ter atuado como produtor, revisor e diagramador, principalmente da Editora Perspectiva. Aqui, Plinio conta um pouco sobre a concepção e produção da coleção Debates e da coleção Estudos e sobre as praticidades e eventuais problemas de se editar coleções, como, por exemplo, a economia em projeto (em uma coleção, todos os livros precisam ter o mesmo formato e apresentar o mesmo projeto) e a necessidade de pensar na coleção como um todo, incluindo o formato de papel a ser utilizado para que haja o máximo de aproveitamento. Para se imprimir livros, há formatos de papel padrão (66x96 cm ou 87x114 cm, entre outros) e, dependendo do formato do livro, um formato de papel é mais indicado que outro, visando seu maior aproveitamento; por exemplo, para se produzir livros em formato 16x23 cm, o formato mais indicado é o 66x96 cm.

Em seguida, Plinio explica sobre dois tipos de montagem do livro: o linotipo e a composer, que, para falar a verdade, não entendi direito, e que, pelo que sei, não são mais comumente utilizados. O que acontece hoje em dia, que pude presenciar em visitas a três gráficas, é o seguinte: a editora envia o arquivo em alta resolução no formato PDF (geralmente diagramado no programa InDesign pelo designer) e, a partir desse arquivo, são gravadas "chapas" com o conteúdo do livro e essas chapas são utilizadas em grandes impressoras para impressão de tiragens a partir de 500 exemplares - tiragens menores que isso têm um preço muito alto e, em geral, não compensam para a editora. E, também, hoje em dia tiragens menores (em geral, a partir de 10 exemplares, embora algumas gráficas trabalhem com um número ainda menor) são impressas em "gráficas digitais". Esse tipo de gráfica nem chega a gravar chapas; o livro é rodado em impressoras especiais e o livro tem o mesmo resultado e aparência do livro impresso em offset (em grandes impressoras). Portanto, penso que essa parte do texto precisaria ser atualizada.

Em "Projetos editoriais em laboratório", Maria Otilia Bocchini, professora da ECA-USP, conta sobre a experiência e dificuldades de se manter uma editora-laboratório, como é o caso da Com-Arte, que faz parte do curso de Produção Editorial da ECA. Não sei como está este laboratório atualmente, mas ela conta que havia várias dificuldades a ser superadas para que o laboratório continuasse funcionando e para que os alunos tivessem um contato com a área em que atuariam. A Com-Arte chega a publicar livros "de verdade", produzidos pelos próprios alunos, com supervisão de professores. Pessoalmente, acho a experiência superválida, uma vez que muitos alunos ali vão atuar em editoras de livros depois de formados.

Por fim, Jerusa Ferreira, que assinou o primeiro capítulo, encerra o livro com um texto-resumo sobre um trabalho com editoras populares do Brás, que editam livros com forte apelo para as camadas mais "populares", como é o caso, por exemplo, de operários. Entre os livros mais vendidos dessas editoras estão livros de significado dos sonhos, de santos, romances (imagino que do tipo Julia e Bianca) e guias para autoaprendizado (como aprender a lutar karatê, por exemplo). Hoje em dia talvez o perfil dessas editoras tenha mudado um pouco (considerando que a 1ª edição deste livro foi publicada em 1997 e a 3ª edição em 2007), pois houve um aumento do poder aquisitivo dessas camadas da população nos últimos anos e, talvez, agora haja uma maior exigência em relação aos produtos/livros a ser consumidos ou mesmo uma alteração no gosto/demanda desse tipo de público.

Gostei muito da leitura e recomendo.


Vaga para assistente editorial - Universitário Sistema Educacional

Vaga visualizada na comunidade "Profissionais do Mercado Editorial" do LinkedIn: 

"Temos uma vaga de assistente editorial no Universitário Sistema Educacional. Caso seja de seu interesse participar do processo seletivo envie o curriculum atualizado com o último salário. Obrigada!"

E-mail para envio de currículos: 
vagas@universitariobrasil.com.br